terça-feira, 1 de junho de 2010

O DESENHO INFANTIL

Ao elaborar uma aula que envolva as artes visuais parece que o objetivo central, da maioria das professoras, é somente o desenvolvimento motor ou como passatempo. Parece haver desconhecimento de que “as crianças têm suas próprias impressões, ideias e interpretações sobre a produção de arte e o fazer artístico.” As crianças são exploradoras e experimentadoras natas. Elas sentem, agem, refletem e constroem novas concepções a partir das suas vivências.
Segundo RCNEI (1998, p. 89) “...as artes visuais devem ser concebidas como uma linguagem que tem estrutura e características próprias...” As crianças devem ser envolvidas num ambiente cuja aprendizagem envolva o fazer artístico, a apreciação e a reflexão. Para isso, as aulas de artes não devem ser apenas coadjuvantes de um conhecimento de outra área, a fim de reforçar os conteúdos estudados. Em conversa informal com uma das professoras da pré-escola, perguntei como ela insere a arte em seu planejamento. A professora descreveu o seguinte: “Era aula sobre as estações do ano. Fiz as explicações sobre elas e mostrei figuras. Depois cada criança recebeu uma folha de ofício para desenhar a estação que mais gostou.” (sic)
A arte tem conteúdos próprios que podem ser absorvidos por crianças de qualquer idade. As professoras desse segmento da Educação Básica necessitam apropriar-se desse conhecimento. Atualmente nas salas de aula da instituição observada, somente o fazer artístico tem espaço, mesmo assim somente como recreação ou avaliação do conteúdo estudado. As aulas de artes visuais na educação infantil poderiam ir além de meras representações das atividades propostas. A criança de creche e pré-escola pode ser estimulada constantemente nos aspectos imaginativos, perceptivos, intuitivos e cognitivos a fim de desenvolver suas competências criativas. É no fazer artístico que a criança desenvolve sua imaginação criadora, sua expressão, sua sensibilidade e sua capacidade estética. Nos primeiros anos de vida, a criança ainda não representa nos seus rabiscos o que ver ao seu redor, mas o movimento repetitivo e mecânico, podem ampliar o conhecimento de seu próprio corpo, do mundo e do próprio desenho.
São muitas as concepções vigentes ainda hoje para o ensino das artes visuais. Há quem defenda e adote as ideias de Friedrich Froebel, cuja concepção pedagógica chamada de diretivista chegou ao Brasil em 1896, onde o ensino de artes visuais para crianças é baseado no treino motor e do olhar. As metodologias giravam em torno de modelos xerocopiados para colorir ou técnicas de desenho, modelagem e pintura. O uso dessa concepção pedagógica desvaloriza e limita a criatividade infantil, impondo-lhe fórmulas para a expressão artística. Paralelamente, há a concepção da livre expressão defendida por Viktor Lowenfeld e John Dewey. Segundo Fusari e Ferraz (1993), essa concepção traz a ideia de que a criança deve criar espontaneamente, sem intervenção direta do professor e sem desafios que incentivem sua capacidade criativa.
Os outros dois aspectos para o desenvolvimento do conhecimento de artes visuais (apreciação e reflexão) são pouco utilizados nas escolas de E.I. Embora não os considerem em suas aulas, algumas professoras da instituição estudada, com as quais conversei, não concordam com suas colegas que parecem ainda subestimar a capacidade perceptiva da criança pequena e não vêem sentido em confrontá-las com imagens de pinturas, desenhos e gravuras. A apreciação de imagens pode se dar a partir de perguntas que instiguem a imaginação, a observação e o interesse das crianças por essas imagens. Nada impede que as crianças sejam apresentadas a obras das diversas épocas da história da arte mundial e conheçam seus autores (RNCEI, 1998). Embora a atenção da criança pequena seja mais curta, é possível manter o interesse dela na observação e apreciação de uma obra de arte. A criatividade da professora é que vai aumentar ou limitar seu interesse. A mesma professora da pré-escola já mencionada, admitiu que nunca pensou em planejar uma aula de arte onde o assunto fosse um pintor e sua obra, a forma como ele usa as cores, as motivações para pintar, os sentimentos envolvidos etc.
A criança pode e deve receber desde cedo a educação para olhar, que a possibilite refletir sobre a obra, quem a fez e porque a fez. Isso se chama fruição. A reflexão, o conhecimento, a emoção, aliados a sensação e ao prazer gerado pelo contato com as produções artísticas são conceitos necessários para a aprendizagem em artes visuais.
Para que isso aconteça é aconselhável que a professora escolha a maior diversidade possível de artistas e obras, e que sejam significativos para as crianças. Por exemplo: artistas como Tarsila do Amaral e Aldemir Martins que utilizavam em suas pinturas elementos do cotidiano como animais, crianças, brincadeiras infantis e objetos da cultura regional com cores e formas exuberantes e atraentes. Contudo, é possível que as crianças tenham acesso também a obras de artistas abstracionistas ou renascentistas. “Nesses casos, há que se observar o sentido narrativo que elas atribuem a essas imagens e considerá-lo como parte do processo de construção da leitura de imagens.” (RCNEI, 1998)
No Rio de Janeiro, o Museu Casa do Pontal tem um projeto de visita guiada para crianças pequenas. O objetivo do projeto é levar a arte popular para dentro das escolas públicas. Os guias são, em geral, arte-educadores que vestem roupas coloridas e dão as boas vindas com um cavaquinho na mão. Segundo Juliana Prado, arte-educadora há 20 anos, a narrativa é muito importante para a compreensão das imagens, especialmente para as crianças pequenas, que se utilizam dela para interpretar o que vêem.
Em Fortaleza, há um projeto semelhante no Museu do Ceará. As professoras e professores recebem uma rápida capacitação antes de levarem seus alunos. As crianças são recepcionadas por Dorinha (personagem de teatro de bonecos criada pelos idealizadores do projeto) que explica o que é um museu, o que é

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